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Segunda-feira, Março 24, 2008 O Dilema do Ouriço
Obviamente essa afirmativa não é exclusividade minha, creio que todos nós somos de certa forma ouriços, só que alguns não tem tanto medo dos espinhos alheios. Infelizmente não é o meu caso. Passei toda a minha adolescência fugindo das pessoas, evitando qualquer contato para que eu nunca machucasse ninguém e nem fosse machucado. Mas a vida acaba nos ensinando coisas importantes no caminho: “Se não se aproximar dos outros, nunca será traído e nem machucará ninguém... Porém nunca vai conseguir esquecer a solidão...” Uma hora ou outra a solidão se torna insuportável, e acabamos por desistir de parte de nossa armadura protetora para receber outras pessoas em nossos corações. Nessa empreitada tudo que sabemos é que vamos nos decepcionar, mas tendo arriscado uma vez, nunca mais voltaremos a clausura de nossa alma. Tudo que conhecemos em relacionamentos é a decepção final, é praticamente impossível não se decepcionar com as pessoas, não por que todas elas são aptas a nos trair, mas simplesmente por que cada um tem uma filosofia de vida diferente. O que pode ser de extrema importância para mim, talvez não tenha importância nenhuma para você. As prioridades que escolhemos são parte de nosso comportamento, os objetivos que buscamos representam nossa identidade, os caminhos que escolhemos para chegar até eles, moldarão nossa personalidade. Observando esses fatores dá pra se ter uma visão geral de como a pessoa se relaciona com o mundo. Mas ainda há a nossa natureza, parte indecifrável de nossa alma, elemento que mal conhecemos o nosso e que seria impossível conhecer o do outro. A nossa natureza é selvagem, foge da racionalidade, ela controla tudo por trás de nossas decisões, se baseando em todos os nossos medos primitivos e vontades suprimidas. Se para conhecer a si mesmo, e aceitar nossa natureza, já é tão difícil, imagine aceitar a personalidade alheia? Não podemos ter a prepotência de achar que podemos entender as pessoas, pois não conseguimos nem nos entender. O relacionamento estável onde desabrocha o amor é feito unicamente da tolerância, aceitando as divergências de opinião e evitando as comparações inúteis entre seres tão singulares. posted by TRUNKAEL H MAIRS 3:25 PM Divague ( ) ou | Terça-feira, Março 18, 2008 Bússola Dourada o livre pensamento para crianças
Uai, essa instituição parece bem bacana não é? Mas no Vatican... quer dizer, Megesterium, ouvimos outro tipo de conversa. Uma conversa conspiratória, ilustrando o por que esses padres e pastores querem dominar a educação das crianças: para obter a autoridade absoluta! “Se ele conseguir provar a existência destes outros mundos, vai contrariar séculos de ensino. Haverá sempre livres pensadores e hereges. A menos que lidemos com a raiz do problema. É por isso que o trabalho da Sra. Coulter é tão importante. (...) Os doutores em Bolvangar estão perto de aperfeiçoar a vacina contra os efeitos da Poeira. Se conseguirmos proteger as nossas crianças da má influência da Poeira, antes que os seus dimmons atinjam a maturidade então teremos gerado uma geração que estará em paz consigo própria. Uma geração que não voltará a questionar a nossa autoridade.” Bom, será que estão falando de Galileu e das cruzadas missionárias? Ou será que estou confundindo as histórias? Enquanto eu assistia a Bússola Dourada eu simulava uma guerra contra as Crônicas de Narnia. São dois filmes bonitinhos, mas enquanto Narnia fortalece uma religião, a Bússola Dourada derruba. Se C.S.Lewis quer catequizar, Philip Pullman Liberta. Se vocês acham que estou sendo duro demais com o cristianismo escutem essa. Enquanto tentavam tirar os dimmons das crianças, evangelizando-as para sempre, me lembrei imediatamente de uma frase proferida pelo personagem de Edward Norton no filme “Despertar de uma Paixão”. Na ocasião ele estava na china no meio de uma epidemia de cólera. Sua mulher dizia que admirava as freiras por fazer um trabalho voluntário tão bom com as crianças, ele retruca dizendo que as freiras até compram crianças nos braços de jovens mães: “- Também vão a jovens mães nas suas casas. Estão pedindo que dêem os seus bebes ao convento. Oferecem-lhes dinheiro para sustentar as famílias para as persuadirem a fazê-lo. As suas freiras não estão só aqui para gerir o orfanato. Estão a tornar essas crianças em pequenos católicos. Nenhum de nós está na China sem uma razão.” Vejam só, o cristianismo também rapta crianças para salvá-los da poeira não é? Que coisa mais estranha, e todo mundo achando linda a evangelização missionária. Tadinhos dos pequenos, não podem nem escolher continuar com seu dimmon, sua poeira, seu avatar ou pensamento livre. Condicionados a obedecer um todo-poderoso, são incapazes de futuramente questioná-lo. Concluindo... A Bússola Dourada me fez sentir nojo das Crônicas de Nárnia. posted by TRUNKAEL H MAIRS 3:29 PM Divague ( ) ou | Domingo, Março 16, 2008 O desfecho
Dessa vez ele não conseguia esboçar um sorriso simpático, só uma risadinha cínica, típica de quem está em desespero. Colocou muito açúcar pra ver se deixava a própria vida mais doce. Vislumbrou seu reflexo depressivo no café, saboreou sua dor. Perambulou um pouco pela padaria com sua xícara na mão, saiu e fumou um cigarro com formato de amargura. Achou poético não ter que pagar por saborear a própria dor. Ao voltar pra casa poderia florear mais sua poesia sentando por um tempo no banco da praça, mas resolveu que o cansaço não é tão poético e adormeceu um sono profundo, acordando dentro dos Fossos da Morte de Rath. posted by TRUNKAEL H MAIRS 5:26 PM Divague ( ) ou | Sábado, Março 15, 2008 Sobre as personalidades que usamos para encontrar nossa própria
Na cidade de Nintendo World 1, no Universo On Line, começa nossa história, onde viviam duas famílias inimigas: os SSJ e os UD! Todos os dias havia provocações e brigas entre pessoas dessas famílias, até que o rei “Anonymous 1” resolveu acabar de uma vez por todas com aquela confusão... Assim começa uma das tantas histórias que se passava no planeta NW. Nos primórdios da internet não existia nada além das salas de bate-papo da UOL. Por incrível sorte eu encontrei uma sala de RPG do meu anime favorito na época: Dragon Ball Z. Você chegava a qualquer hora e tinha pessoas lutando, conspirando, alistando guerreiros. Depois de dar um golpe de estado no clã onde eu era vice-presidente eu dava início a uma idéia mais ambiciosa, dominar a NW. É claro que isso tomava tempo, mas pela minha falta de socialização aqui no mundo real, não foi difícil ganhar alguma influência ali. Eu era um típico nerd, estava na internet justamente por não ter com quem sair pras baladas no auge dos meus 15 anos. O RPG on-line era a melhor forma de socialização que eu tinha, era lá que eu fazia amigos, namorava, abrandava guerras diplomaticamente. Hoje eu gritaria bem alto para esse antigo Rafael: “Acorda pra vida meu filho, você NÃO é o Trunkael, existe um mundo enorme aqui fora” Mas não é bem assim, aquela minha vida virtual me ensinou muita coisa, creio inclusive, que eu não teria voltado meus olhos ao mundo real se eu não tivesse a experiência do quanto é divertido interpretar aquelas histórias. Eu vim para o mundo real com a vontade de fazer da minha vida uma eterna aventura, assim como na NW ou nas minhas várias sessões de RPG com meu clã I.S. (esse de RPG de mesa mesmo, pessoas reais, livros reais, velas, vinho, etc). Em resumo, Trunkael era muito mais vivo do que eu, tinha muito mais presença, era a pessoa que eu gostaria de ser aqui fora, e veja bem, tirando os super poderes, me transformei nele. Minha forma concentrada de mim mesmo anda pelo mundo real depois de ser formada e transformada dentro de um mundo imaginário. Experimentei tantas personalidades em meus jogos que me tornar mais simpático e empático foi algo natural. Obtive mais auto-conhecimento quando meus personagens apontavam meus erros. O RPG me ajudou a perder o medo, a timidez, a inércia. Me fez perceber que para mudar o mundo, começamos mudando nosso ponto de vista. Mas afinal, mudei para chegar a nível de um personagem, ou me revelei ser tal personagem? Quem era mais real, o antigo Rafael tímido e medroso, ou o guerreiro Z? As vezes acho que sempre fui esse personagem, alguma força misteriosa que o prendia num lugar quase inacessível dentro de meu inconsciente, felizmente o RPG me ajudou a libertá-lo. posted by TRUNKAEL H MAIRS 9:16 PM Divague ( ) ou | Prelúdio
Já tomei decisões muito mais importantes em minha vida sem ter que experimentar a hesitação. Mudei de cidade, larguei emprego, montei minha empresa. Basicamente tudo que eu poderia fazer dar certo sendo protagonista dos acontecimentos não me dá medo. Mas quando tenho que esperar a decisão de outra pessoa todas as minhas incertezas vem à tona. O mais interessante é que nessas pequenas jogadas, justo essas que não posso controlar as variáveis, são as que nada tenho a perder. É uma aposta que nada tenho que pagar (constrangimento e aumento de complexo de inferioridade não são moedas tão importantes). Ganhando tenho o mundo em minhas mãos, terei todos os meus problemas resolvidos, a felicidade vem instantânea. Pelo menos até a próxima semana. Sempre dou valor a essas pequenas coisas, pois me parece que elas são mais determinantes em minha vida do que qualquer outra. Tento deixar de pensar no momento propício, tento não decorar um discurso, tento deixar as coisas rolarem. Mas elas não rolam, tenho que agir. Se eu levar um fora... walk on posted by TRUNKAEL H MAIRS 2:10 AM Divague ( ) ou | Terça-feira, Março 11, 2008 Sangue de barata
Não foi uma jogada tão sádica assim de minha parte, como alguns de vocês poderiam pensar (felizmente o Duanne não entendeu assim), eu só estava interpretando meu papel, afinal recebi o chamado a isso no texto do b.m. Mas agora que posso falar mais sobre isso sem impetuosidade, percebo que há um monte de coisas a serem pensadas sobre a mensagem do Duanne, principalmente no que diz respeito ao crescente sentimento de humanidade que temos, quando nos deparamos com situações como a citada. Se nos tornamos tão impotentes diante de uma situação assim, nada mais natural que esperar que um ser com super-poderes intervenha em nosso lugar. O contrário seria simplesmente esquecer da sua própria impotência e se concentrar naquilo que você efetivamente pode fazer de bom nessas situações. Como era de se esperar, eu fico com a segunda opção e pela frieza de minhas palavras vocês tem toda a razão de me achar um sangue de barata. Mas tem tão displicente assim, logo procurei o b.m. para saber o que afinal ele queria nessa discussão, pois as duas pessoas que responderam, eu e o John, tiveram posicionamento completamente diferentes, eu simplesmente ataquei uma religião, o John ofereceu uma oração. Claro que pensei na mesma hora que eu tinha errado bruscamente. Felizmente não foi o caso. Abrangendo mais o assunto, não estou tão internamente envolvido com os argumentos que expus quanto parece. A certeza de que na verdade sou tão crente quanto qualquer evangélico sempre bate à minha porta. Só que não há doutrina, não há messias, só há um mar de argumentos no meio do caos. Bom, a minha intenção inicial não era me defender dessa maneira, mas pelo que parece senti necessidade disso ao decorrer do texto. Para comentar uma outra parte que vejo com extrema importância, me voltarei ao empirismo. A cada dia que passa vemos nossas teorias caírem por terra quando um fato efetivamente desencadeia. Creio que esse foi o caso do b.m. e o que ele recorreu foi à experiência de seus amigos, que não resolvem o problema, mas pelo menos serve como jurisprudência para aplacar sua dor. posted by TRUNKAEL H MAIRS 12:58 AM Divague ( ) ou | Sexta-feira, Março 07, 2008 Onde eu não tenho vez
posted by TRUNKAEL H MAIRS 5:52 AM Divague ( ) ou | Terça-feira, Março 04, 2008 Destino é construir uma ponte de possibilidades para seu amor
Um rapaz ajuda uma garota bêbada e acaba por não sair mais da vida dela. Seria simples se fosse só isso, mas a mocinha é mais durona que o Capitão Nascimento, portanto o cara passa umas muitas e boas com ela. A partir daí vou começar com o primeiro devaneio sobre o amor. Sua utilidade. Por que afinal o mocinho do filme sempre levava ferro, apanhava dela, da própria mãe, era preso, e ainda continuava com a menina? E o pior é que nem namorados eram, nunca se beijaram, ela não dava nenhuma esperança pra ele. Por que afinal continuava com ela? Bom, esse tipo de amor me parece o mais estranho. Eu poderia dizer que era uma paixão arrebatadora. Ou talvez por ele ter tocado o destino dela, sentia necessidade de protegê-la. Mas também poderia ser algo mais físico inicialmente, afinal era a garota mais próxima que ela tinha, portanto a melhor possibilidade de perder a virgindade. Talvez exista três estados de paixão antes do amor em si, primeiro uma paixão física, você gosta da pessoa pelo sexo (ou a possibilidade dele), depois se apaixona pelo comportamento da pessoa, até que você começa a conhecer a pessoa de verdade, e ainda assim está apaixonado. Depois dos três estágios da paixão, o fogo se cessa dando lugar ao amor. E o amor também passa pelos mesmos estágios, só que não no ponto de vista de elevar aquelas qualidades que você gosta, mas tolerar os defeitos que até então não importavam. O amor é feito de tolerância. Se você consegue continuar sentindo prazer no sexo, e esse prazer sobrepõe às imperfeições, o primeiro estágio do amor foi concretizado. O segundo estágio seria a tolerância dos “defeitos" comportamentais, todo mundo tem incompatibilidades nesses pontos, afinal cada um vê a vida sob uma ótica diferente. No começo você nem percebe essas diferenças, parece que foram feitos um para o outro. No entanto com um pouquinho de tempo todas as opiniões parecem divergir. Tolerar essas diferenças é alcançar o segundo estágio. O mais difícil a meu ver seria a tolerância intelectual. E não falo de níveis diferentes, mas convicções diferentes. Duas pessoas igualmente inteligentes poderiam ser completamente divergente em vários pontos, principalmente religião, política e filosofia de vida. Esse pontos comentados não são regra em lugar nenhum, é somente uma pequena separação dos pontos principais de um relacionamento. Claro que há muitas variáveis a mais para se levar em conta, e isso será diferente para cada pessoa. Talvez a satisfação emocional compense as incompatibilidades intelectuais por exemplo. Uma menina que beija mal talvez seja tão bacana que isso nem importe. É nessas compensações que casamentos duram ou acabam. O que segura no começo é a paixão, depois os filhos, quando chega na hora do amor a coisa desanda (ou não). O amor pelos filhos pode segurar o casamento por um tempo até que ambos resolvam o que fazer a partir dali. Claro que uma família unida e bem estruturada pode compensar a intolerância dos cônjuges, embora isso não seja mais tão comum. A outra parte da discussão se refere à própria existência do amor, que poderia ser apenas um misto de vários sentimentos. Talvez amor seja uma amizade incendiada, como já disse Jeremy Taylor. Que tal uma mistura de carinho, instinto (p)maternal e instinto sexual? Ou é carência com possessividade? Na hora as pessoas entendem que existem vários tipos de amor, uns com mais ciúmes que outros, alguns com mais carinho, etc. A possessividade foi o tema discutido na micro-reunião do Círculo de Blogs (mencionada no primeiro parágrafo). Se levarmos o amor como uma reunião de outros sentimentos, e ele por si mesmo não existir, então é possível que a possessividade seja confundida com o amor. Mas se o amor existe intrinsecamente por si mesmo, então não há lugar para a possessividade ou ciúmes. No caso do amor real (alma gêmeas e tal) o primeiro conjunto de “regras" que apresentei é invalidado. Mas se o amor é construído com uma gama de outros sentimentos, então faz muito sentido a frase do título, afinal temos que esquecer da sorte e dar oportunidades para o amor se apresentar. Mas essa é uma discussão que ainda vai longe. Digam vocês o que acham sobre isso. posted by TRUNKAEL H MAIRS 2:10 PM Divague ( ) ou | Segunda-feira, Março 03, 2008 O segredo dentro da caixa posted by TRUNKAEL H MAIRS 2:37 AM Divague ( ) ou | |
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