Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
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Quinta-feira, Julho 31, 2008
Cara ou Coroa?
Quando o Caos e o Padrão se chocam, padroniza-se o Caos, ou desestabiliza a ordem?
Foi mais ou menos essa questão que me veio à cabeça assim que acabei de assistir o filme. O primeiro argumento que veio à mente, buscando as palavras de um dos protagonistas, é que nascemos no caos, o padrão veio por puro acaso, e para voltar ao caos basta um pequeno empurrão.
No entanto o que podemos observar na evolução de nossa sociedade é que o padrão acaba ganhando, e mesmo aquilo que era considerado caos, acaba se tornando parte do padrão. Nesse caso temos bons exemplos, como a violência, a desinformação em massa, o hedonismo.
Não creio que nesses casos o caos tenha sido derrotado por ser padronizado. Inclusive acredito no oposto. Com o caos se infiltrando dentro do padrão, esse caminha lentamente para uma explosão de entropia. E também temos ótimos argumentos, aos poucos as pessoas que protegem a lei, quebram várias leis, para continuar protegendo a lei.
Ainda temos uma pequena justificativa para essa quebra do padrão, mas aos poucos esse tipo de pessoa será menos nobre em suas ações, e agirá em seu próprio interesse.
O filme trás uma moral pouco convincente de que nem todos sucumbiriam ao caos. Mas não acho que seria essa a realidade. Para proteger a própria vida, ou a vida de sua família, a maioria das pessoas seria capaz de coisa muito pior.
Há quem diga que sou um pessimista, mas não, só acredito que o ser humano é muito mais corruptível do que mostrado em tantas ficções.
Só demorará um pouco mais para o desmoronamento por que uma das facetas do caos se infiltrou com mais facilidade: o medo. O medo deixa as pessoas inertes, pensam que é preferível viver com medo do que arriscar em uma luta pela liberdade.
Por exercício imaginativo, vamos tirar o medo da equação. O que você acha que aconteceria com a sociedade?
Minha aposta seria pela ruína da humanidade do jeito que conhecemos, viveríamos pela lei da força em primeira instância, que evoluiria para a lei do respeito mútuo. Por quê?
Bom, é um argumento simplório, mas leva a alguns pensamentos interessantes.
Imagine que as vítimas de assalto sempre reagiriam. Haveria muitas mortes no começo, mas depois haveria o respeito, apenas os mais corajosos (ou os mais insanos) continuariam tentando, até que finalmente todos fossem extintos. Daí evoluiríamos para a lei do respeito mútuo.
Mas é só um exercício imaginativo mesmo, pois é uma decisão que está longe de ser tomada pela sociedade. O caos já está implantado, e quando esse ciclo de medo se tornar insuportável, talvez as pessoas sejam impelidas a agir, em vez de se esconder.
Ou talvez seja uma questão de sorte, vou jogar esse moeda, se der cara é o caos que vencerá.
Quando me peguei falando que assistia certo filme sempre que entrava numa pseudo-depressão, não pensei muito na hora sobre o que isso significa. Mas quando vejo minha irmã assistindo a mesma comédia romântica mais de 10 vezes começo a entender que estou vivendo a minha vida de maneira totalmente contrária à minha filosofia.
Parece que foi quando li “Onze Minutos” do mr Paulo Coelho que percebi que as pessoas adormecem enquanto sonham com as maravilhas da ficção. Era no comentário do livro, um leitor dizia que gostava dos livros do Paulinho pois esses os faziam sonhar.
Claro que pensei numa grande crítica sobre isso, e condenei as novelas, os reality shows, os livros de auto-ajuda e tudo mais. Eu sempre lutei pra que as outras pessoas acordassem para a vida, então me pego assistindo a mesma comédia romântica em tempos difíceis e percebo que não sou nada diferente de todo o resto.
A vida está ai e o tempo não vai me esperar ter a coragem de arriscar, seja fazendo uma grande viagem só pegando carona, escalando alguma montanha ou me casando. Tudo pode ser uma grande aventura quando estamos dispostos a arriscar, o problema é que usamos os subterfúgios ficcionais para causar emoções que a vida deveria causar.
Cada vez que assistimos tal filme, ou lemos tal livro, que parece renovar nossas forças, é como se estivemos mendigando um pouco de felicidade a um mundo inexistente. Cada obra se torna um tipo de droga que nos mantêm bem por um tempo, mas que logo precisamos de mais, por não dar conta de transformar nossa realidade nesses sonhos da ficção.
E quantas vezes eu já não disse aqui Wake Up!, mas percebo que disse como um sonâmbulo, e que ainda está bem longe de acordar. Essa realidade utópica que não precisará mais da ficção para me fazer rir ou chorar poderá nunca acontecer. Mas, hey, let’s try. Já tive ótimos momentos na vida, se eu soubesse escrever poderia criar um livro sobre eles. Mas são momentos fugazes, alguns meses de felicidade cercados de um tipo de ilusão sobre o próprio futuro das coisas.
Fugi várias vezes e ainda há muitas fugas pela frente, mas agora, depois de alguma reflexão acho que podemos construir algo. Podemos tentar, e olha que nem sou desses que está vagando por ai com coração partido, esbanjando carência e implorando atenção. Estou perdendo alguma coisa nessa caminhada, a vida é só essa, e estou desperdiçando ela com uma prepotência idiota defendida por filosofias baratas.
Então, acho que já é hora de acabar com essa pseudo-melancolia e abraçar a vida como se ela fosse o grande amor de minha vida.