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Poesia
Não Sei Quantas Almas Tenho
Fernando Pessoa

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
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Quarta-feira, Setembro 30, 2009


A ciência é nossa Matrix

Para perceber o mal que a ciência faz a nosso espírito devemos primeiramente perceber as características da ciência. Pergunto as pessoas a minha volta para que serve a ciência e obtenho uma resposta interessante “para que o ser humano tenha melhores meios de sobrevivência”.
Pode ser uma busca pelo conhecimento da natureza e do universo, para ser uma busca por uma compreensão de nossa existência, mas principalmente para melhorar nossa ”qualidade que vida”. Venderam a ciência muito bem para nós e hoje somos escravos de toda a tecnologia que foi criada para suprir nossas necessidades.

A ciência nos faz viver mais e melhor, nos dá conforto e segurança, nos diverte, distrai e acalma. A tecnologia é a forma física da ilusão. Na medida em que a ciência nos dá respostas e cria meios para que tenhamos uma vida mais segura nos apegamos a ela. O nosso apego ao ego se torna um apego à tudo aquilo que pode nos proteger ou proporcionar qualquer forma de conforto.

Tendo todas as necessidade plenamente saciadas pela ciência não precisaremos buscar nada além, não precisaremos mergulhar em nosso interior para obter o conhecimento, tudo vem de fora, especialmente formatado para ser digerido sem esforço.


posted by TRUNKAEL H MAIRS 3:01 PM

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Não há nada antes - Não há nada depois

Nas divertidas discussões sobre o início do universo sempre tem um “espertinho” questionando o que existia antes do Big Bang. Não existia “antes” pois não existe tempo dentro de um horizonte de eventos na singularidade de uma densidade infinita. O tempo passou a existir no momento da explosão.
Em outra discussão questionam o que há no futuro, e novamente temos em vista a singularidade, seja na tecnologia ou na contração do universo. O que não é mais que um reflexo da própria vida humana, afinal, saímos da inexistência e caminhamos para inexistência.

O único momento que temos é exatamente o presente, o nosso passado é tão ilusório quanto nossa projeção do futuro. Não existirá um amanhã, nunca existiu um ontem, só existe o hoje.
Sendo de onde vem essa mania humana de se preparar para o futuro? Pensar no amanhã? Sofrer por antecipação? A nossa vida só acontece no agora, para não perder esse momento fantasiamos o futuro que nunca existirá.

”O propósito de ponderar sobre a morte e a impermanência é inverter a tendência perniciosa da mente humana de observar tudo como sendo mais estável do que realmente é.” B. Alan Wallace


posted by TRUNKAEL H MAIRS 1:47 PM

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