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    "Somente quem tem o caos dentro de si pode dar à luz uma estrela bailarina." (Nietzsche)

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    Não Sei Quantas Almas Tenho
    Fernando Pessoa

    Não sei quantas almas tenho.
    Cada momento mudei.
    Continuamente me estranho.
    Nunca me vi nem acabei.
    De tanto ser, só tenho alma.
    Quem tem alma não atem calma.
    Quem vê é só o que vê,
    Quem sente não é quem é,
    Atento ao que sou e vejo,
    Torno-me eles e não eu.
    Cada meu sonho ou desejo
    É do que nasce e não meu.
    Sou minha própria paisagem;
    Assisto à minha passagem,
    Diverso, móbil e só,
    Não sei sentir-me onde estou.
    Por isso, alheio, vou lendo
    Como páginas, meu ser.
    O que sogue não prevendo,
    O que passou a esquecer.
    Noto à margem do que li
    O que julguei que senti.
    Releio e digo: “Fui eu?”
    Deus sabe, porque o escreveu.
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    Sexta-feira, Julho 03, 2009


    Das coisas que nos rodeiam

    Não são as coisas que nos perturbam, e sim a nossa interpretação das coisas.
    Schoppenhauer


    Falar sobre as formas subjetivas de como nossa vaidade molda nosso discurso não é algo simples, ainda menos simples é entender essa relação a partir da percepção de outra pessoa. Contra um comportamento defensivo que não se baseia em lógica, mas sim em sentimento, não há nenhum argumento que possa elucidar qualquer tipo de questão existencial. É necessário mais que uma admiração, mas uma confiança na sabedoria alheia para nos permitirmos entender certos vícios em nosso comportamento.

    Um estudo superficial do budismo me fez criar um policiamento quanto a atuação de meu narcisismo em meus discursos e quanto mais eu policio o meu discurso, naturalmente policio o discurso das pessoas que me rodeiam. A percepção da arrogância e prepotência alheia nada mais é que o reflexo do modo como eu agia desde sempre com todos.
    Para fugir de imposições forçadas devo começar a traçar argumentos usando a pura lógica, e baseado nessa idéia imaginei como seria a raiz lógica de um problema vigente: o desrespeito.
    A primeira premissa que eu defendo é que é impossível uma pessoa atingir diretamente o seu self, assim como é impossível uma pessoa sobrepor uma crença sua sem seu consentimento. Existe uma área inatingível em nossa consciência, essa parte não chega nenhum desrespeito, ofensa ou mágoa a não ser que permitamos.
    O sentimento ruim que temos perante uma cortada atinge o ego, e o ego define se aquilo se torna ou não uma falta de respeito, de acordo com o nível de prepotência que o ego tem sobre o ofensor.

    Ainda que o ofensor queira te magoar deliberadamente, você sempre terá a escolha de aceitar ou não a ofensa. Claro que essa “escolha” acontece muito rapidamente no nível do inconsciente, apenas uma mente muito bem condicionada poderia se desviar diretamente dessa questão e ignorar a ação que o ego move para transformar qualquer ataque a si em um crime.
    Portanto, antes de exigirmos respeito dos outros, devemos lembrar do que Schoppenhauer disse “Não são as coisas que nos perturbam, e sim a nossa interpretação das coisas.” Portanto cuidado com as interpretações.


    posted by TRUNKAEL H MAIRS 9:54 AM

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    Quinta-feira, Junho 04, 2009


    De um extremo ao outro para chegar ao caminho do meio

    Ok, mas quem disse então que ter boa relações com as pessoas é algo essencial? Afinal posso ser um eremita e meditar sozinho pelo resto da vida.

    O Duanne propôs essa questão depois de ler o post anterior e, apesar de eu discordar, ela me pareceu muito familiar, pois era justamente o tipo de argumento que eu sustentaria há um ano. Para contra argumentá-lo eu poderia usar simplesmente o filme “O Buda” e lembrar que meditar não é o suficiente se você não trás as “pedras preciosas”. Apesar do budista ser muito dedicado a meditação o mestre sempre lhe falava sobre as “pedras preciosas” que ele não tinha. Ele se referia as relações interpessoais que deveriam ser lapidadas antes de focar exclusivamente um caminho espiritual. Você deve aprender mais sobre você mesmo com o outro, antes de mergulhar em si. Se até o budismo dá tanta importância as relações interpessoais então com certeza prestarei atenção nela.

    A outra parte do argumento poderia se referir psicologia interpessoal, que a pouco tempo comecei a me aprofundar. Sabia mais ou menos do que era, mas não tinha uma idéia de como seria um tratamento com essa abordagem. Irvin Yalom faz um bom resumo no começo de seu livro “Desafios da Terapia” dizendo que a maior parte dos problemas das pessoas são interpessoais e essa abordagem ajuda o paciente a lidar melhor com as pessoas, a ter relacionamentos mais produtivos.
    A empatia seria o primeiro passo essencial para construção de um bom relacionamento com qualquer pessoa. Para quem acha muito subjetivo esse negócio de empatia tem um exercício simples que pode dar uma forma mais concreta a essa virtude. Em uma conversa que se torna discussão você pode tomar a iniciativa de se colocar no lugar da pessoa, e demonstrar a ela aquilo que você entendeu do que ela disse. Ela vai confirmar ou concertar alguma coisa da interpretação, daí você realmente terá entendido o ponto de vista. No seu contra-argumento explique qual parte você não concorda e peça para que a pessoa diga o que entendeu. Assim a discussão não se torna uma briga inútil e a conversa e o relacionamento prosperam.

    Perceba que apenas o exercício da empatia já abranda a prepotência e arrogância comentadas no post anterior. Quando você efetivamente escuta a pessoa e tenta entende-la você tem uma conexão tão boa com ela que não há espaço pra apatia ou qualquer um desses defeitos/escudos.
    Para pessoas que tem ego demasiadamente forte será um exercício muito difícil de ser aplicado, pois eu sei muito bem que é um saco ter que ouvir uma pessoa bater na tecla de algo completamente irracional (eu sou assim, não tenho nenhuma paciência com que foge da lógica), mas não é impossível. Primeiro lembre-se que realmente existem pessoas que não se apóiam na lógica, seja num relacionamento, seja numa discussão. Muitas pessoas (na sua maioria, mulheres) são controladas pela emoção, e para elas um fato concreto não quer dizer absolutamente nada.

    Mas ai que entra a parte incomoda. Pois é onde seu EGO tem que ceder, pois no final das contas você NÃO PRECISA convencer ninguém de nada. Isso faz parte de seu egocentrismo. Então se uma pessoa quer esquecer a lógica e usar só a emoção seja empático, se coloque no lugar dela e explique pra ela o que você entendeu disso. Há coisas que é melhor não discutir mesmo.
    Se você tem na cabeça que quer deixar o egocentrismo, prepotência, arrogância e apatia de lado esse seria o primeiro passo: escute os outros e não se imponha. Se isso começar a dar certo, as outras virtudes sociais virão naturalmente. O mais importante é não sair do caminho e não cair na apatia.

    Para mais informações sugiro livros de psicologia interpessoal. Tenho lido os livros do Irvin Yalom, que usa a abordagem interpessoal e a existencial, o que está efetivamente mudando minha forma de relacionar com as pessoas. Espero que eu consiga ainda esse ano acabar com esses meus defeitos e seguir um caminho boas virtudes sócias.


    posted by TRUNKAEL H MAIRS 1:13 AM

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    Domingo, Maio 24, 2009


    Sobre como se defender da influência do meio

    "cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta o edifício inteiro." (Clarisse Lispector)


    Uma época especial em minha vida foi o segundo grau. Foi meu primeiro contato com a psicologia e a filosofia, também meu primeiro contato com a internet. Durante meu segundo grau tive um crescimento intelectual extremamente interessante, foi a época em que decidi parar de assistir televisão, questionar as regras e efetivamente sair da alienação proposta pelo meio.
    Talvez a energia de ativação primária foi assistir “Clube da Luta” durante uma das aulas de psicologia. A visão de que a sociedade capitalista minava minhas vontades reais, meu poder criativo e, efetivamente, meu próprio brilho individual se proliferou rapidamente em minha mente. Foi o começo da ruptura.
    Mesmo sendo um entendimento rudimentar eu sabia que não deveria aceitar tudo que a sociedade me impunha sem antes questionar. Rapidamente o questionar se tornou uma resistência e luta pela formação de minha própria identidade, independente do que o meio poderia me oferecer de imediato.

    O efeito colateral de tomar as rédeas de minha própria vida veio quase que imediato, a arrogância e prepotência surgiram como mecanismo de defesa para tudo que fosse externo a mim. Rapidamente comecei a rotular as pessoas de alienados, e num texto que em que eu destilava todo meu veneno nietzscheano (embora eu ainda nem conhecesse Nietzsche) eu chamei as pessoas comuns de “Pobres Mortais”.
    Ficou claro que eu achava que estava acima do resto do mundo, isso se refletia na minha antipatia por qualquer assunto mundano, eu queria fugir daquela adolescência imbecil que me cercava. Apesar da minha arrogância ser visivelmente reprovada pelos outros eu continuava, principalmente quando descobri que não estava só, encontrei adeptos que me deram força para continuar nesse caminho de resistência.

    O momento de lucidez veio durante uma viagem. Tendo conseguido contaminar os dez estudantes com minhas teorias percebi ainda mais a força de minhas palavras e meu poder de liderança. Mas também foi nessa viagem, especificamente no final dela, que percebi que tinha alguma coisa errada nisso tudo. Quando eu vi todos os outros chamando o resto do mundo de “Pobres Mortais” percebi o perigo de achar que o único caminho de resistência era pisando na cabeça dos demais.
    Depois disso tomei um caminho mais silencioso e entrei numa extensa busca intelectual, para finalmente me dar conta que os defeitos que eu tinha criado para me defender (arrogância e prepotência) não só me tornaria desagradável com todos, mas criaria um bloqueio intelectual que me impediria de efetivamente evoluir.

    Quando resolvi cortar os defeitos, efetivamente o prédio desabou.

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    Não posso colocar minha história como regra absoluta, mas acredito bastante nas minhas próprias experiências de vida quando se trata da validação de uma teoria. Tempos depois pude observar que outras pessoas que conseguiram se desvencilhar das amarras sociais também desenvolveram esses defeitos mencionados, ou pelo menos um tipo de apatia social.
    A primeira forma de defesa contra o meio requer um escudo apropriado e a apatia social, assim como a arrogância funcionam muito bem para criar e fazer a manutenção de nosso campo defensivo contra o sistema opressivo a nossa volta. Depois da consciência desse problema percebi que existem pelo menos três caminhos que as pessoas trilharam para se desvincular de tais defeitos.

    O primeiro, e possivelmente o mais usado, é simplesmente desistir de fazer resistência e voltar para os braços acolhedores do sistema. Mas parece que essa não seja uma resolução real do problema, pois até então não encontrei ninguém que permanecesse feliz depois de ter voltado a ser alienado pelo meio.
    O segundo, que é muito comum nos círculos intelectuais, é que essas pessoas ou não percebem, ou não querem considerar a existência desses defeitos (escudos) sociais. Elas simplesmente mantém sua prepotência, apatia ou arrogância e convivem com elas como se não existissem.
    O terceiro e mais doloroso caminho é lutar para se desfazer desses defeitos sociais e manter a resistência usando outros escudos. Essa é uma fase que pode nunca ser concretizada pois é uma luta diária, você deve se monitorar o tempo todo para entender como suas ações são vista pelas pessoas que convivem com você e como você pode melhorar suas relações.

    Observando superficialmente parece com a primeira opção, mas nesse caso o trabalho consiste não só na destruição desses defeitos, mas também na construção de virtudes que possam criar uma ponte suspensa até as pessoas que você gosta. Claro que o exercício de uma virtude como a empatia, por exemplo, é algo demorado e demanda muita disciplina. Desenvolver essas virtudes necessárias para manter uma vida social compensadora, apesar de não estar mais sob o manto opressor do sistema, será um trabalho para toda a vida.


    Continua..


    posted by TRUNKAEL H MAIRS 2:55 AM

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    Terça-feira, Abril 21, 2009


    Da opressão do meio

    O ser é parte integrante do meio, e o meio acaba abduzindo o ser, transformando-o em parte de si, despersonalizando-o, para que ele não tenha chances de modificar o meio que vive. Sem a sociedade o ser não sobrevive, sem o ser a sociedade não existe. A evolução da sociedade só é possível a partir da evolução individual do ser.

    A vida vegetativa abraçada por grande parte das pessoas não é especificamente uma escolha, é o único modo possível até que se atinja uma maturidade intelectual que nos mostre um novo modo de vida. A partir daí existe a escolha, você pode fazer parte ou não do sistema.

    O problema da visualização dessa “escolha” é que independente do que escolhemos nos depararemos com o arrependimento. Uma dos maiores fatores para a infelicidade é a grande quantidade de escolha que temos que fazer todos os dias. Quando optamos por uma coisa, acabamos por descartar todas as outras.

    A cada tipo de experiência de vida estaremos inevitavelmente experimentando a insatisfação. Quando isso se torna suficientemente sufocante procuramos ajuda na psicologia, filosofia ou religião. Embora qualquer uma delas possa solucionar temporariamente essa angustia, apenas uma prática real do desapego é que poderíamos viver sem a pressão das escolhas.
    Apesar do budismo ter, em minha opinião, a melhor prática para o desapego, em um nível pratico, o estado zen quase se confundiria com a depressão. Isso porque a ação pelo não-ação, o não-querer, não-desejar, não são incompatíveis com o sistema social em que vivemos.

    Esse sistema transforma o zen em depressão, ou capitaliza o zen, colocando-o numa redoma. A única linha de fuga possível seria sair completamente do sistema, ou se manter nos micros sistemas (propostos no post abaixo) onde não exista toda uma pressão social em prol do conservadorismo atual.

    Ou seja, para existir uma mudança real no ser, este tem que mudar de meio, ou criar uma mudança no meio, fazendo com que tudo a sua volta se adapte a você. Embora isso pareça absurdo inicialmente, é algo que acontece o tempo todo. A mutação social começa justamente com essas pessoas que consciente ou inconscientemente moldam o mundo a seu redor.

    Caso a pessoa não tenha suficiente força de vontade para mudar de meio, ou modificar o próprio meio, o que resta é a adaptação, onde efetivamente o meio subjulga o ser (como proposto por Lacan ou Adorno) despersonalizando-o ao máximo, até que não exista mais o território do eu (ou o campo A.T.). O ser simplesmente é mais uma peça da engrenagem do meio/sistema.

    Abaixo um texto antigo que fiz sobre a Mímese

    Espelhos sem imagens: mimesis e reconhecimento em Lacan e Adorno

    Introdução

    A história da relação entre a filosofia e a psicanálise teve um começo distinto e desvinculado na França, por Lacan e na Alemanha, pela escola de Frankfurt através de Adorno. Não há provas de que houve uma relação entre estes dois pólos, embora tenham estudado o mesmo assunto.

    Permanecer diante do sujeito ... através do objeto

    As experiências intelectuais tanto de Lacan quanto Adorno foram através de um projeto de retorno a Freud. Em Adorno, a teoria Freudiana foi decisiva na criação do conceito de auto-crítica da razão.

    Tanto Lacan quanto Adorno tentaram renovar o os modos se sustentação do princípio de subjetividade a partir de uma estratégia absolutamente convergente. Em vez de assumirem o discurso da morte do sujeito ou do retorno à imanência do ser, ao arcaico, ao inefável, todos os dois estiveram dispostos a sustentar o princípio de subjetividade, embora desprovendo-o de um pensamento da identidade.

    Nas mãos dos dois, o sujeito deixa de ser uma entidade substancial que fundamenta os processos de auto-determinação para transformar-se no lócus da não identidade e da clivagem. Assim a não-identidade poderá construir um horizonte utópico da mesma maneira com que ela representará aquilo que deve ser reconhecido pelo sujeito. No caso do sujeito essa não-identidade encontra seu espaço privilegiado de manifestação através da experiência do corpo, do impulso e de seus modos de subjetivação.

    Esse regime de identificação não poderia ser compreendido a partir do mecanismo de uma projeção do eu sobre o mundo dos objetos, nem pela absorção do objeto através de uma rememoração, ao contrário, trata de levar o sujeito a se reconhecer no interior de si mesmo. Todo sujeito porta em si mesmo um núcleo do objeto. A subjetividade deve ser reconhecida em uma recuperação de confrontações próprias à dialética entre sujeito e objeto. Uma estrutura de reconhecimento de dimensões da subjetividade que não se esgotam na auto-objetivação do sujeito no campo subjetivo da linguagem. A este reconhecimento adorno deu o nome de mimesis.

    Devemos compreender as tentativas adornianas de fornecer um modelo de comunicação não mais entre sujeitos, mas na confrontação entre sujeito e objeto.

    Clínica e Reconhecimento

    Em Lacan, a temática do reconhecimento estaria vinculada a intersubjetividade do desejo. Mas a partir do momento em que a psicanálise tenta se afastar da reflexividade própria do sujeito ela perde o critério para estabelecer a verdade do que se apresenta no campo da experiência. A não ser que voltemos a uma noção não-problematizada que não precisa do Outro para se legitimar. Assim, a cura na clínica lacaiana é indissociável de um movimento de subjetivação.

    A auto-objetivação do sujeito, segundo Lacan, não estaria vinculada à posição de dimensões expressivas das aptidões de indivíduos socializados. Ela estaria vinculada ao reconhecimento do sujeito em um objeto que não porta sua imagem, que não porta as marcas de sua individualização.

    Críticas da Intersubjetividade

    A convergência entre mecanismos de socialização e processos de alienação é patrocinada por uma crítica totalizante da reificação da linguagem ordinária. O que impossibilita a auto-objetivação do sujeito no interior da realidade alienada das sociedades modernas. A objetivação construída pela ciência permitirá que o sujeito esqueça sua subjetividade.

    A expressão no interior do campo intersubjetivo está necessariamente submetida a processos de reificação e de objetivação. A auto-objetivação do sujeito só pode se dar como alguma forma de negação de determinações intersubjetivas, negação dialética que, por sua vez, não seja retorno ao inefável ou ao arcaico.

    Mimesis, natureza e estranhamento

    O problema da mimesis em Adorno é interpretado como a recuperação de uma afinidade não-conceitual que escaparia à concepção de uma relação entre sujeito e objeto determinada a partir do modo cognitivo-instrumental que prometeria um modo possível de reconciliação entre o sujeito e a natureza. Nas palavras de Habermas “um retorno às origens, através do qual tenta-se retornar aquém da ruptura entre a cultura e a natureza.

    A natureza apareceria como um signo de autenticidade, o que vai contra toda possibilidade de pensamento dialético da natureza no qual esta não é posta nem como horizonte de doação positiva de sentido, nem como simples construção discursiva reificada. A natureza é uma figura negativa, pois é exatamente aquilo que impede a indexação integral dos existentes pelo conceito.

    Os eixos da problemática adorniana do mimetismo seriam: a teoria antropológica da magia, teoria psicanalítica das pulsões, mimetismo animal, e o problema estético da representação.

    A atividade antidialética tende a reduzir ao ser do eu toda atividade subjetiva. Através da identificação com o outro se revela o que é da ordem das individualizações modernas. A referência-a-si só se constitui através da mediação pelo que é posto como marca de alteridade.

    A identidade do eu seria dependente da entificação de um sistema fixo de identidades e diferenças categoriais. A projeção de tal sistema sobre o mundo é exatamente aquilo que é chamado de falsa projeção.

    A pulsão de morte seria uma reconciliação do sujeito com a natureza. O que nos leva a ruptura do eu como formação sintética. De acordo com Deleuze, a morte procurada pela pulsão é o estado de diferenças livres quando elas não são mais submetidas à forma que lhe era dava por um Eu; quando elas excluem minha própria coerência assim como de outra identidade qualquer. Há sempre um morre-se mais profundo do que um ‘morro’.

    A tendência a perder-se no meio ambiente pode ser interpretado em Roger Caillois da seguinte forma: O espaço parece ser uma potência devoradora para estes espíritos despossuidos. O espaço os persegue, os apreende, os digere em uma fagocitose gigante. Ao fim, ele os substitui. O corpo então se dessolidariza do pensamento, o indivíduo atravessa a fronteira da sua pele e habita do outro lado de seus sentidos.

    Adorno livrou o conceito de mimetismo da sua subordinação à natureza como plano iminente e positivo de doação de sentido. O sujeito deve-se reconhecer para afirmar sua não-identidade. Ou seja, reconciliação com o objeto e destruição do eu como auto-identidade estática no interior de um universo simbólico estruturado.

    O objeto é aquilo que marca o ponto no qual o eu não reconhece mais sua imagem, ponto no qual o sujeito se vê diante de um sensível que é a materialidade sem imagem, cuja confrontação implica um perpétuo decentramento.

    O reconhecimento dos homens como sujeitos é dependente da capacidade de se identificarem com o que não submete mais aos contornos auto-idênticos de um eu com seus protocolos de individualização.

    Especularidade e Opacidade

    Em Lacan não encontraremos nada visível sobre o conceito de natureza, no entanto se levarmos em conta o caráter negativo da natureza proposto por Adorno (a natureza como aquilo que resiste à reflexão do conceito) a partir da teoria das pulsões, teremos um caminho [paralelo] a trilhas no texto lacaniano.

    À primeira vista parece que Lacan não separa a falsa projeção narcisista da mimeses, como propõe Adorno, visto que o que Lacan chama de seu ‘estágio do espelho’ é como se o bebê projetasse seu eu em outro bebê, desvinculando suas zonas de interação com a mãe para ter uma imagem do próprio corpo.

    Através da temática do desejo como pura negatividade, como falta-a-ser primordial, Lacan colocaria o reconhecimento na pura negatividade como a cura das ilusões de narcisismo e de alienação. E Lacan reconhecerá que o verdadeiro potencial da não-identidade não virá de uma transcendência negativa do desejo, será causado pelos objetos parciais que o sujeito tende a perder durante o fenômeno da socialização e formação do próprio corpo.


    posted by TRUNKAEL H MAIRS 7:21 PM

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    Quarta-feira, Abril 08, 2009


    Dos Sentimentos Inconceituáveis

    Para sentir que não está perdendo tempo entre devaneios, uma pessoa insone usa a noite para ler ou escrever. É verdade que eu não tenho feito nenhuma das duas coisas ultimamente, perco meu tempo apenas navegando e divagando na internet sem fim. Normalmente nem lembro o que fiz na noite anterior, e isso acaba criando um sentimento ainda maior de inutilidade da existência.

    Agora que consegui me esquivar de certos vícios novamente volto a leitura e escrita, há novamente uma busca.

    Não importa a busca do que, mas o ato de buscar. Minha antiga angustia era buscar um motivo para viver, até descobrir que a vida é o próprio motivo. A vida trás possibilidades infinitas, nós podemos mudá-la o tempo todo, embora na maioria das vezes parecer algo impossível.

    A diferença da teoria para prática se resume em um de dois defeitos que tem o poder de manter o ser humano na inércia: O medo e a preguiça. Quando junta os dois é impossível até cogitar a idéia de mudança.

    Há algum tempo eu perdi o medo da vida, o defeito que me sobrou é a preguiça, a acomodação. Por isso hoje estou preso em meu próprio cárcere. Um mundo administrável e conservador como o de qualquer outra pessoa que ignoro diariamente.

    Mas as vezes consigo mandar uma mensagem através dessas grades. Seria muito mais coerente se eu mandasse essa carta para uma pessoa próxima, alguém que me conheça, pois assim seria melhor entendido. No entanto já tenho correspondência regular com amigos reais e imaginários, mas a discussão se torna rasa pela falta de novos pontos de vista. Até então não consegui uma discussão que abrangesse todos os pontos que acho ser possível. Por isso preciso de novos argumentos, novas perguntas. Assim talvez eu possa ter uma parâmetro mais interessante sobre o motivo da vida, o começo do universo e tudo mais. Qualquer resposta é mais completa que o número 42.

    Melhor que novas resposta são as novas perguntas. Talvez a busca seja por essas novas questões e não por respostas. Qualquer filósofo sabe que a evolução de toda a humanidade começou com uma pergunta, e só se manterá se ainda existir perguntas.

    Mas voltemos à idéia principal, que é sobre sentimentos inconceituáveis. Talvez eu goste da idéia de discutir isso pois para mim nenhum sentimento seja exatamente conceituado. Há diversas formas e fases da paixão, assim como diversas formas de melancolia. É “apenas” um sentimento e se esse fosse realmente resumido em um palavra, deveria existir uma palavra para cada pessoa existente.

    Ainda que tais palavras não definam exatamente o que esteja sentindo, é uma aproximação aceitável. Não há motivo aparente para criar novos símbolos, basta citar exemplos, uma pessoa empática consegue entende-lo de certa forma, mesmo não estando na posição mais privilegiada, que é a sua própria.

    E não é só na questão de dar uma palavra ao sentimento que nos limitamos. Todos os dias passamos por isso de maneira ainda mais subjetiva, confundimos felicidade com festa, tristeza com solidão. Parece óbvio que a resposta para o tédio é ir para o bar. Mas não passa de uma compensação por um tipo de sentimento inconceituável.

    Quando hoje sinto a solidão implacável impregnando minha alma, minha primeira ação é sair com meus amigos. Mas sei que é apenas uma resposta fácil. Aquela noite agradável entre bebidas e outras drogas é apenas mais uma compensação.

    Mas solidão é uma palavra muito abrangente, devo explicar melhor esse sentimento, do contrário você pegaria sua própria idéia de solidão para preencher essa lacuna interpretativa. A solidão que digo é perante toda a humanidade, se sentir sozinho entre muitos, buscar um tipo de entendimento impossível entre seus iguais. Essa solidão é como saber que apenas você sabe exatamente o que está sentindo.

    Depois de tantas questões existências nada nem ninguém poderá suprir essa necessidade de completude. Não há completude, existe apenas um tipo torto de complementação.

    Se isso for uma conclusão plausível acabei de entrar em um beco sem saída, pois nesse caso o objetivo da busca da completude sempre acabará em um tipo de compensação. Afinal, não existe mais possibilidade de entendimento verdadeiro, apenas uma aproximação do entendimento.

    Parece uma pegadinha de mais de dois mil anos de idade, quando um filósofo disse que numa corrida é impossível chegar ao destino final, pois teríamos que ir até o meio da caminhada, depois ao próximo meio, e assim indefinidamente.


    posted by TRUNKAEL H MAIRS 1:30 PM

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    Quinta-feira, Março 19, 2009


    Kadmon

    O que seria ser um desperto?

    Segundo Mago: A Ascenção

    "O Despertar raramente acontece na infância. Os pais satisfazem abundantemente as necessidades da maior parte das crianças, deixando-as tão confortáveis com o status quo que não existe ímpeto necessário ao processo. Ele é similarmente improvável na velhice. As pessoas idosas, diferentes da maior parte da sociedade mais jovem, geralmente descobriram algo para concentrar sua atenção na vida. Seja construir uma carreira, erigir uma família ou embriagar-se todos os dias, existe algo no cotidiano que os fazem sentirem-se completos, e os prende eternamente à confortável realidade estática no processo. Mesmo aqueles sem esse senso de propósito , descobrem um nicho familiar e confortável que os impede de explorar algo mais."

    O Budismo trás diversas teorias sobre o despertar:

    "Se alguém possui treinamento da mente, tudo isso -- doenças físicas e sofrimento mental -- são meios hábeis através dos quais os mestres e as Três Jóias conferem suas bençãos e realizações. Então, você deve transformar todas as circunstâncias em fatores que conduzem para o treinamento em despertar a mente".
    “A prática que aumenta a nossa capacidade de beneficiar é a mesma que traz o despertar.”


    Essa iluminação budista passa por várias virtudes, sendo a principal delas o desapego as coisas matérias.

    Segundo Nietzsche:

    O Desperto é o que Nietzsche chamou um dia de Além-Homem (também traduzido como: Sobre-Humano ou Super-Homem).
    Um ser Desperto é aquele que desfaz todas as amarras que lhe prendem à essa pseudo-realidade. Mas não julgue isso com um tom ficcional, essas "amarras", ou "vendas", que lhe impedem de ver um mundo livre (sem conhecer um mundo livre, você não teria como procurar esse mundo livre, ele não existe se você não o viu) são as estruturas dogmáticas que tem acesso às "massas": Televisão (e demais meios de comunicação em menor escala), o Governo (através, principalmente, da Educação), a Família (e a comunidade local) e, principalmente, a Religião.
    O Desperto é a pessoa que domina os meios, e não o contrário, é aquele que se adapta, mas não se deixa manipular, é uma pessoa que se arrisca a ter uma opinião própria, e não fica apenas citando frases que viu na TV, ou o sermão de seu pastor (ou linhas da bíblia).

    Essa é mais uma interpretação que tenho do Ubermech de Nietzsche do que uma citação dele.

    E então?

    A reincidência sobre o despertar nesse blog não é atoa, essa sempre foi minha busca, e é essa busca que me deu tanto agonia durante esses anos.

    Mas agora que me tornei uma pessoa à margem dos pensamentos massificados, não sei o que fazer com isso. Gosto muito da pessoa que me tornei, mas será que me tornei aquilo que sou? (“Torna-te quem tu és”)

    Me tornei desapegados das coisas materiais, me desapeguei das pessoas, ignoro sentimentos, mas ainda sim me sinto longe da iluminação, pois perdi uma parte importante da filosofia do despertar:

    “Saiba que se você não tiver contentamento com as coisas, irá se tornar um escravo do desejo!”

    Essa é a verdade, não estou contente com as coisas, me sinto uma alma solitária no mundo das banalidades. Impossível voltar a ser uma alienado (e nem quero), o behaviorismo e empirismo são minhas religiões. Minha busca é por pessoas que consigam me entender. Mas se não as encontro, deveria eu desistir?

    Não há como desistir nesse ponto do caminho (e nem quero), mas não acho motivo para me contentar com a vida que levo, preciso de uma dica, uma trilha nova para percorrer, um objetivo que me leve novamente à sede de conhecimento.


    posted by TRUNKAEL H MAIRS 5:06 PM

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    Quinta-feira, Março 05, 2009


    Nude Revolution

    Terrence Mackenna - Time Wave Zero
    Gal Japonesa
    O meu maior erro foi pensar que estamos perto de uma revolução mundial. Não estamos perto, a revolução já acontece todos os dias, só que ao contrário de outras épocas, as culturas não vão se anular, mas sim como Terence Mckenna comenta em seu vídeo. Todas as culturas existentes e por vir vão coexistir nesse mesmo mundinho de sempre.

    Não veremos o fim da teocracia, pudor ou moral. Os hippies não vencerão e os “alienados” não deixarão de existir. A evolução da humanidade nesse ponto reflete a evolução humana, e principalmente a evolução tecnológica.

    A idéia de globalização criou a internet e a internet globalizou a informações. Hoje temos acesso a qualquer cultura ou contra-cultura existente no mundo. Já vimos o caso das japonesas, que por se acharem muito iguais resolveram mudar o visual completamente, virar loiras bronzeadas. Até que essa “contra-cultura” se tornou parte da cultura japonesa.

    A internet nos tornou mais sociáveis, não precisamos nos moldar para estar em determinado grupo de pessoas. Há um grupo de pessoas para cada tipo de pessoa. A internet facilita essa aproximação, e esses novos grupos criam as micro-revoluções paralelamente a dezenas de outros.

    Então é possível que existe um “mundo perfeito” aos olhos de Tyler Durden? Sim. Mas ninguém vai destruir prédios ou criar um colapso do sistema capitalista para criar esse mundo. Simplesmente cria-se uma comunidade hippie no meio das montanhas e passam a viver sem contato com o resto do mundo.

    Tyler Durden's World?

    Já existem várias micro-comunidades com a do filme "A Praia"
    Essa revolução no modo de vida já está entre nós há algum tempo, só estamos percebendo que não terá volta. O reagrupamento humano causado pela tecnologia e a vontade de fugir do sistema está moldando uma nova era (sem misticismo, por favor). Não seremos mais como nossos pais, a não ser que essa seja nossa escolha.

    Os movimentos dessa revolução silenciosa são vistos o tempo todo, mas parecem tão absurdos que assistimos como se fossem um filme de ficção passando em nossas TVs. As gals japoneses existem de verdade, os hippies estão por toda parte, esse aumento de eventos com pessoas nuas é real.

    Tive contato com um evento desses chamado Universo Paralelo, uma rave de 7 dias numa praia deserta com 10 mil pessoas que realmente parecem viver fora desse mundo “normal”. Não que eles sejam hippies em sua maioria, mas com certeza estão conectados a um tipo de contra-cultura.

    Universo Paralelo

    Meu palpite é que essa é a forma que a evolução (como entidade em si própria) encontrou para resolver o paradoxo do post anterior. Pois assim teremos a possibilidade real de uma evolução individual, sem atrapalhar a evolução social ou tecnológica. O câncer coexistirá com as células saudáveis da sociedade, não haverá uma macro-transformação da sociedade, mas sim infinitas micro-transformações.


    posted by TRUNKAEL H MAIRS 5:00 PM

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    Domingo, Março 01, 2009


    Evolução Social X Evolução Invividual

    Ontem eu estava na república vizinha trocando idéia com um amigo meu que faz psicologia, falávamos sobre evolução individual X evolução social, ignorância X pensar.

    O interessante é que eu não fiz nenhum discurso "religioso" sobre esse novo mundo de Tyler. Fui colocando as idéias com muita calma, e escutando o cara. O resultado de nossa discussão foi mais abrangente do que eu imaginava.

    A minha premissa principal era exatamente o que foi questionado em waking life, por que a sociedade evolui como um todo, mas individualmente não evoluímos nada desde, sei lá, Sócrates?

    A premissa que ele sustentou foi que a evolução social parte principalmente da limitação dos seus componentes. Isso acontece desde que existe uma sociedade organizada, e é exemplificada tanto pela escravidão egípcia, pelas ditaduras políticas e recentemente pelo capitalismo.

    Para a sociedade evoluir o ser humano teve que se anular perante uma religião, governo ou sistema econômico.

    Dentro dessa limitação, os mais aptos subiam para cargos de dominadores, e efetivamente "ajudavam" na evolução social. Pegando um exemplo bacana, vivemos em sociedade assim como vive a espécie dos Morlocks, a mais "evoluida" no filme "A Máquina do Tempo".



    Morlock: "Como ousa questionar 800 mil anos de evolução?"

    Para quem não se lembra, existia esse sujeito branco ae, que controlava mentalmente todos os Morlocks, que eram criaturas teoricamente humanas, mas sem inteligência ou vontade. Eles se alimentavam da outra raça humana (os Eloi), que vivia numa sociedade de poder descentralizado (comunista ou socialista).

    Exatamente dessa maneira a nossa sociedade evoluiu sobre as outras. Nós dizimamos todas as micro-sociedades, vistas como menos evoluídas, e impomos nossa cultura e modo de viver.

    Ok, ok, disso estamos cientes. Mas vamos voltar a questão: é impossível hoje evoluirmos individualmente?
    Não é necessário uma destruição da sociedade como prega Tyler Durden. Justamente pelos argumentos bem colocados de Duanne (no circulo de blogs): seria um retrocesso. Vivendo num mundo como imaginado por Tyler, e como viviam as tribos que não trilharam o caminho da evolução tecnológica, estaríamos limitados em nossa evolução individual. Portanto, a Humanidade, como se fosse ela mesma um ser em si, defende a limitação intelectual da maioria em prol da evolução de si mesma a partir das poucas "anomalias" em suas sistema.

    E Darwin concordaria com tudo isso. A humanidade quer apenas sobreviver nesse planeta, mas as mutações genéticas (sendo cada individuo uma célula no corpo da sociedade), ou seja as pessoas que se voltam contra esse imenso corpo social é que mantêm a contínua evolução da mesma.

    Algo extremamente parecido com a evolução genética mesmo, inclusive percebemos que a "Idade das Trevas" Cristã foi a mutação genética que deu errado, se tornando um câncer maligno no cérebro da Humanidade.



    Mas depois disso tudo ainda não temos uma resposta definitiva dessa pergunta que dura (pelo que sabemos) 3 milênios: O que seria a boa vida?

    Será que é a felicidade que precisamos, e ela só pode ser vivida com a ignorância?
    Só conseguiremos viver sem as angustias de um pensador ignorando o ato de pensar?
    Nos deveríamos nos contentar em ser apenas uma célula perfeita nesse grande ser que é a sociedade moderna?

    Ou poderíamos ser parte dessa mutação genética que evolui esse grande ser?
    Mesmo que para isso tenhamos que lutar contra essas outras células, nos deformar e no final até morrer por isso?

    Creio que o fato de existir essa discussão já nos torna uma mutação. A diferença é que talvez tenhamos uma escolha, ou voltar à normalidade, funcionando como uma célula perfeita e angustiada por saber que existe uma outra vida possível. Ou realmente se desenvolver como um câncer, que poderá morrer sob as células vizinhas, ou infectá-las também, em prol de uma nova mutação, e talvez evolução no corpo da Humanidade.

    Mas o que seria a boa vida afinal?

    Ainda não faço a mínima idéia.


    posted by TRUNKAEL H MAIRS 7:35 PM

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    Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009


    Preguiça

    De acordo com um dos cabulosos personagens de Waking Life, existem duas coisas predominantes que impedem o ser humano de evoluir individualmente: O Medo e A Preguiça. Sempre que você deixa de buscar conhecimento, correr atrás de seus sonhos e estagna numa rotina preta e branca pode ter certeza que é um dos dois pecados.

    Durante a maior parte de minha vida eu vivi com medo. Era o baixinho que apanhava na escolha, que vivia na sombra dos outros, que não dava nenhum passo em falso. Não arriscava em nada. Depois de determinado livro que li aos 13 anos comecei a mudar isso. Quando eu voltei a fazer Tae Kwon Do passei a ir em campeonatos e lutar de verdade. Acabei tomando gosto pela coisa, lutar foi o primeiro grande passo para posteriormente acabar com todos os meus medos.

    Mas logo que controlei o primeiro pecado, o segundo me atacou fortemente. A preguiça é meu principal problema hoje. Não consigo acordar cedo, não consigo ler nada que tenha mais de uma lauda, não tenho vontade de sair e me falta paciência com as pessoas.

    Mas esse é um quadro que está prestes a mudar. Há uma presença caótica em minha vida. Estou sendo levado por uma correnteza de sensações. E tenho agido como Jim Carrey no filme YESMAN.

    Ainda que a questão da preguiça esteja diretamente ligada aos níveis de serotonina, se torna um ciclo vicioso, ou de alegrias, ou de tristezas.


    posted by TRUNKAEL H MAIRS 3:49 PM

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    Quinta-feira, Dezembro 11, 2008


    O Silêncio

    A parte mais interessante de as pessoas discordarem de mim é que eu não preciso dar a mínima para opinião delas.
    A parte mais interessante de receber conselhos é fingir que está levando eles a sério.
    A parte mais interessante do silêncio é que você erra menos ficando calado.


    posted by TRUNKAEL H MAIRS 6:44 PM

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